Nos últimos dias de vida

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Jonathan Holdorf. 2019.

Jonathan Holdorf. 2019.

Dias atrás eu comecei a refletir sobre os meus últimos dias aqui na Terra, quando eu tiver uma boa idade e meu corpo já não aguentar mais. Não foi um pensamento melancólico, mas uma divagação sobre o tempo. Como o tempo ainda irá me mudar até os 80 anos? O que eu ainda manterei comigo depois de tantos caminhos percorridos?

Na última semana estive fazendo alguns vídeos sobre da 8ª temporada de Doctor Who para o canal sobre a série e pude relacionar muito bem com isso. O Doutor é um personagem com mais de 2 mil anos, que muda de rosto, de personalidade, sofre traumas, perde pessoas amadas, mas continua vivendo. No início, ele nunca imaginaria que hoje seria uma Doutora na sua 13ª encarnação, mas aqui está ela, firme e forte. Na 8ª temporada, o Doutor mudou tanto que ficou com medo de si próprio e o que essa mudança significaria para o seu futuro. Ele continuaria sendo a mesma pessoa? Ele seria um homem bom?

Eu gosto como arte me faz refletir assim. E arte não precisa ser necessariamente um quadro abstrato cheio de ambiguidades ou algo com uma técnica tão incrível, que parece ter sido feita por algum ser celestial. Arte é o que nos faz refletir.

Esta reflexão veio também enquanto ouvia o novo álbum da Aurora que, por coincidência (ou não), chama-se A Different Kind of Human (Um Tipo Diferente de Humano - tradução muito livre). Eu me joguei em um espaço mental tentando descobrir se o meu futuro continuaria ouvindo Aurora ou se lembraria que algum dia ouvi. A música dela, assim como Doctor Who, moldou quem eu sou, então me pergunto o quanto disso tudo levarei comigo quando estiver no fim da minha vida.

Jonathan Holdorf. 2019.

Jonathan Holdorf. 2019.