NEWSLETTER 11.03.2019: A coisa mais feia que você já viu

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Banheiro. Jonathan Holdorf, 2015.

Banheiro. Jonathan Holdorf, 2015.

Pode ser que um dia você tenha passado por uma casa na rua e julgado a sua aparência: a tinta descascando, a cor um pouco esquisita para o seu gosto pessoal e uma arquitetura questionável.

Em uma viagem ao interior você viu um lugarzinho bem estranho e todo destruído. “Como deixaram isso acontecer?”, você se pergunta.

Você nunca pensou nessas coisas de maneira maldosa. Você sequer queria ter pensado. Então você se questiona o porquê.

Fomos gerados a acreditar que apenas objetos luxuosos e novos são bonitos, que os nossos gostos pessoais são mais importantes, que as nossas crenças e opiniões são as corretas. Mas nós podemos refletir e entender os motivos. Podemos mudar. Podemos ver o belo no feio ou o feio no belo. Ou melhor, podemos apenas ver.

Nós não sabemos quem vive na casa do muro descascado. Não sabemos qual é a história do lugarzinho estranho no interior. Julgamos as suas características, mas não tomamos o tempo para entender quais foram as suas batalhas. Todos temos esses pequenos julgamentos que passam despercebidos.

Portanto, está tudo bem não sermos anjos iluminados todos os dias — desde que isso não machuque os outros, principalmente quando apenas julgamos a pintura descascada no exterior da casa.


Esse vídeo “Art Must be Beautiful” explora um pouco mais sobre a ideia do conceito de beleza na história da arte e em nossa percepção. Também li esse texto (The Aesthetics of Ugliness) durante a semana para me auxiliar na construção desta newsletter. E deixo aqui mais um vídeo complementar chamado “Van Gogh’s Ugliest Masterpiece", um vídeo essay sobre a pintura O Café à Noite (1888) de Van Gogh.