NEWSLETTER 29.04.2019: A Casa da Bruxa

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Jonathan Holdorf. 2016.

Jonathan Holdorf. 2016.

Em 2016 eu costumava caminhar pelo meu bairro com a câmera na mão para fotografar. Era uma mistura de exercícios físicos com exercícios fotográficos. Mas a rotina não dura para sempre. Eu substituí as caminhadas por yoga e não costumo sair com a câmera na mão por medo de roubarem.

Mas nessas andanças vi muitas coisas legais. Percebi como o mundo sem contexto é engraçado e curioso. Quando você não conhece a história de um lugar a cabeça começa a formular ideias do que poderia ter acontecido.

Foi o caso dessa fotografia da casa. Não somente a imagem me passou a sensação de que eu estava caminhando perto de um lugar misterioso, encantando, cheio de magia. Geralmente a fotografia ajuda a criar um mundo fictício, porém o lugar físico emanava algo peculiar, que me obrigou a fazer a foto. 

Eu imaginei uma bruxa cuidando das suas poções, buscando ervas e animais nos fundos da sua casa para preparar ensopados mágicos em seu caldeirão. 


Jonathan Holdorf. 2015.

Jonathan Holdorf. 2015.

O mesmo aconteceu nesta outra fotografia feita em 2015 quando viajei para Erechim, no Rio Grande do Sul, a cidade na qual eu morei durante 20 anos até me mudar para Florianópolis. Naquela viagem também saí para fotografar enquanto me exercitava caminhando pelas ruas do bairro.

Ali, vi a casa que me fez voltar no tempo, como se ela estivesse atravessando alguma realidade e permitindo-se aparecer somente para mim naquele instante. Ela parecia deslocada perante todas as outras residências e me fez imaginar o que teria acontecido com ela, qual a sua história e o motivo do seu silêncio e da sua decadência.

Eu nunca terei respostas sobre as casas. Talvez isso seja para o melhor, pois assim continuarei imaginando.